sexta-feira, 9 de março de 2012

Suicídio de um poeta amado demais.



Saia de perto do que é meu por direito.
Vá embora,
Não roube meus livros,
neles estão o meu maior segredo.
Não há tempo para pormenores,
só vá e não volte,
porque desde que você veio, eu não vivo,
porque desde que você ama, eu não existo.
Então, não esteja mais aqui na manhã seguinte:
eu te amo mas nossa simbiose precisa ser desfeita
só assim seguirei em frente,
só assim funcionarei como as coisas devem funcionar.

A partir de agora, não seja mais você nem mais ninguém.
Não fale das minhas palavras nem da minha vida.
Não fale de como eu devo beber
nem me socorra na esbornia.
Por favor, só seja qualquer um na vida de qualquer outro
seja você para os outros, não para mim
porque quando você é você para mim
eu não sou eu para ninguém
E esse negócio de eu não ser eu pode me levar a óbito.



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