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terça-feira, 29 de maio de 2012

Ode de Deus



Enquan' durar esta vivacidade,
ah, sê assim na Terra como nos Céus.
E quando se cessar a Humanidade
Almas voltar-se-ão em ódio a Deus.

Veritas numquam perit



segunda-feira, 26 de março de 2012

Haikais da vida ab-rogada.



1.
meu corpo inerte
não deseja se preceder
atimia adverte.

2.
se morte supor-me
o fim chegará enfim
ora, agora: ame-me.

3.
verdadeiro erro:
a repetição rotinal
assim: enterro

4.
(v)ida que duraria
uma vida, mas num haikai
se concluiria.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cuspo-poesia.




Disseram-me à minha busca de respostas:

"Por favor, que caminho devo seguir para sair daqui? Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato. Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice. Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato."

Então eu aceito e sigo. E deixo a vida me levar como naquela música do meu amado.

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

É que eu estou assim; caído, deixando ser levado. Não adianta eu tentar mudar as coisas. Me leve. Me leve com vocês. Não cobrem nada de mim. Não suporto cobranças. É isso que eu quero sempre dizer. E eu sempre vou escrever falando a mesma coisa: Deixe-me ser.

Eu tenho que repetir, repetir e repetir. Até que alguém ouça, entenda e faça. Eu preciso ser levado a sério. Honestamente, estou um caos. Mas sou um caos admirável. Lindo. Sou o poeta que diz:

Nossa poesia dói

E eu não posso lutar contra o que me desconstrói
E isso é o que eu sinto
Essa dor tagada no papel, oh, essa belíssima dor

Singelamente aclamo por pessoas,
eu que sempre digo que vos odeio,
eu que sempre vivo outorgando minha tristeza.
Às vezes só quero que vocês sejam mais eu,
para que eu possa amá-los,
mas eu não os amo,
porque sou narcisista,
para não dizer nazista, nas minhas decisões.

Mas eu só digo o que todo poeta sempre quis dizer:
sentimentalidade.
E isso é a realidade, e isso é o que ninguém escuta.
É ser o que somos e não o que quer que sejamos.
Não somos os outros, somos nossas dores.
E é só que os poetas sabem.

So It's ok with me
It's ok at all
Cause life happens.

Não tenho segredos, só histórias.
Umas banhadas à gozo.
Outras derradeiras paixões, que sangram.
Todo poeta, como eu, já viu o sangue sangrar.
É umas das coisas mais bonitas já vista,
o sangue sangra depois vira sangue sólido
e ele fica por um tempo,
depois ele caí,aí já pode esquecer.

E assim o dia forma o dia.
E o tempo acalenta o nosso tempo.
Fazendo sol ou chuva,
porque é disso que as flores precisam.
E é disso que eu preciso.
Então deixo-me molhar
porque eu sei que um dia eu floresço. 


Hoje a dor veio ao perder uma poesia. E quando se perde, não volta mais. Ela vai para o cemitério das poesias, só os mortos leem. Mas ainda tenho vida e não quero ter o gosto de morrer só para lê-la. Até lá, escrevo umas outras mais, e leio umas outras mais, e traduzo umas poucas. Sinto o gosto das palavras, engulo-as.

Só os poetas sabem o gosto doce de uma poesia entalada. Então poetizo. Vivo!


sábado, 17 de dezembro de 2011

Vida em Palavras.





Vida. Óvulo. Feto. Nascimento.
Início. Amamentação. Babá. Engatinhar.
Dúvidas. Medo. Birras. Crescimento.
Algazarra. Castigo. Escola. Estudar.

Quietude. Meninas. Meninos. Amizade.
Uniforme. Bebida. Hormônios. Bocas.
Encontros. Beijos. Sexo. Felicidade.

Carinho. Emprego. Prazer. Casamento.
União. Divórcio. Solidão. Suporte.
Rugas. Cansaço. Netos. Contentamento.
Asilo. Infarto. Hospital. Morte.

Não era os dias memoráveis. Não era as festas. Não era os natais. Nem eram os bailes, nem casamentos. Não era o início, nem o fim. Não era os dias em que pequei. Não foi nos livros, nem nas músicas. Não foi quando eu fiz sexo, quando fodi. Não quando beijei por amor. Não foi no meu divórcio. Nem nas noites regadas a cachaça e cerveja. Não foi nos calos nos dedos, nem no suor do trabalho. Não foi na saúde, nem na doença. Nem na morte que nos separe. Foi na rotina, foi nos dias em que o tédio me consumia. E eu me fazia aberto aquela maldita vida.

domingo, 30 de outubro de 2011

Poeta, que sobre mim ce)escon(dia.



(Per)doando-se )a(o amor
Dor que esta se debilita a cada dia por sanação
amor a procura
solidão compartilhável
Desapego ingênuo
Poeta {interrogação} Desde quando{}

Porquanto vivo de estórias
as invento
desatino
ex-c-rito simbológico a qual vivenciaria ou ilusoriamente fingi viver
não aconteceu
Emporisso comecei viver destruindo as vígulas que não me deixavam andar

E, agora, eu sei.
Sem que elas, me impeçam, de seguir, sem que elas, me dizem o que fazer, sem que, sem P U S I L A M I D A D E.

Ps: Vírgulas que guado, mas não tranco. (Brinde a quem merecê-las)